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28-05-2015 22:50
Sistelo
Alerta Arcuenses, o nosso rio Vez está a ser ameaçado de morte

Decorreu ontem, dia 27 de maio, um encontro na Casa das Artes para discussão pública do impacto ambiental causado pela construção de uma mini-hidrica em Sistelo, em pleno coração do rio Vez, num lugar que é dos mais belos que a Natureza nos oferece em termos de paisagem, de vegetação luxuriante, de socalcos verdejantes e água pura e cristalina. Difícil de igualar.

Entrei preocupado e mais preocupado saí desse encontro, apesar do conforto de ter uma plateia cheia de pessoas que demonstraram inequivocamente a sua oposição a este malfadado projeto que uma vez mais ensombra a nossa terra, a nossa memória coletiva, a nossa identidade cultural e social, pondo em causa a qualidade de vida que as nossas populações usufruem devido à conservação intacta do nosso querido rio Vez desde as suas origens que se perderam e perduram nos séculos até aos nossos dias.
Fiquei a saber que da última vez em que houve uma tentativa de aprovação de uma DIA (Declaração de Impacto Ambiental) por parte dos promotores do projeto, , em 2006, ela tinha sido efetivamente aprovada condicionalmente, o que faria com que o processo de licenciamento poderia ter avançado para uma nova fase, apesar da imensa contestação dos arcuenses que manifestaram a sua oposição, através de vários meios,, inclusivamente por escrito, para a atual APA (Agência Portuguesa do Ambiente), eventualmente com outro nome na época. A fundamentação da nossa opinião baseava-se então, como agora, em razões de ordem ecológica, ambiental, biológica, histórica, social, económica, turística, afectiva e outras que não se conseguem explicar por palavras e só quem aqui nasceu, cresceu, viveu e vive, compreende a relação de simbiose e de amor que existe entre os arcuenses e o seu rio que é cem por cento arcuense. Mesmo os visitantes que usufruem das benesses que o nosso rio Vez proporciona, conseguem entender porque razão para nós é inconcebível que se cometa este vil atentado contra uma joia da Natureza que brilha para todos.

Talvez por isso, e mesmo assim, a DIA ficou aprovada condicionalmente, isto porque a última palavra, penso eu, neste processo de ordem ambiental tem cariz político e o órgão legalmente competente de então terá decidido passar por cima de todos os nossos argumentos, dando mais valor às pretensões “progressistas” de quem apenas parece procurar o lucro, sem olhar a meios, nem se importar com a sensibilidade social e afectiva das populações autóctones.
Segundo as palavras do atual presidente da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez, Dr. Francisco Araújo, que era então presidente da Câmara Municipal, a obra só não terá arrancado porque a Câmara Municipal a que presidiu intentou judicialmente uma acção que terá feito reverter o prosseguimento do projeto, até porque o autarca enquanto arcuense era e continua a ser frontalmente contra quaisquer obras que possam descaraterizar o nosso rio e o nosso concelho, incluindo este projeto em discussão. Mas, o autarca, também revelou a sua preocupação, por achar que a decisão de aprovar o projeto, não depende da decisão da Autarquia, pelo menos exclusivamente. Quanto a este assunto, não estou totalmente de acordo e num momento mais avançado do processo, caso esta nova DIA seja aprovada, (porque tudo é possível) ver-se-á que a posição e a atitude camarária poderão ser fulcrais para um desfecho positivo ou negativo, mas, de momento, importa que a nossa Câmara, na reunião que vai fazer para tomar posição sobre este assunto, seja totalmente contra, sem quaisquer tibiezas ou dúvidas, por unanimidade, pois estou certo de que estará a agir de acordo com a vontade popular na sua maioria e que esta posição será muito importante em batalhas futuras. Espero que as suas acções relativamente a esta matéria sejam consonantes com os interesses dos arcuenses, o que eu não duvido que isso venha a acontecer, pois tenho uma opinião muito favorável sobre a capacidade de liderança do nosso atual presidente da Câmara Municipal, Dr. João Manuel Esteves, sendo indiscutível o seu amor à nossa terra e muito particularmente ao rio Vez, não lhe fossem as suas raízes ligadas intrinsecamente.

Quanto aos vereadores da oposição, a sua posição não deixou quaisquer dúvidas: são cabalmente contra a aprovação do projeto.
Outros participantes, cidadãos arcuenses, revelaram igualmente a sua preocupação e a sua posição contrária, havendo quase unanimidade na sua revolta e na sua oposição apresentando argumentos todos eles pertinentes, verdadeiros e irrefutáveis.

Logicamente que o promotor do projeto bem se esforçava por levar a água ao seu moinho, tentando convencer-nos da bondade do mesmo, repetindo várias vezes que durante os meses de Verão, 3 ou 4 meses, não conseguiu precisar, a máquina não funcionaria, que o muro só teria 2 metros de altura e outros pormenores, aos quais a maioria da assistência pouca ou nenhuma atenção prestou, por soarem a oco. Pasme-se que até nas garantias se recusou a falar, e ainda bem, porque não há garantias que paguem o valor que nós atribuímos ao rio e que ele efetivamente tem.

Para alguns poucos (um ou dois) que ainda têm a esperança de ganhar algumas benesses para as suas freguesias, reflitam na diferença entre o que possam vir a ganhar e aquilo que podem vir a perder e chegarão à óbvia conclusão de que o que vão ganhar depressa desaparece e o que vão perder nunca mais o recuperarão, e então a desilusão e a decepção serão difíceis de gerir.

Basta olhar para as terras e os rios que têm sido invadidos por essas infraestruturas: a situação calamitosa em que se encontram a nível de paisagens, de ecossistemas, de desenvolvimento socioeconómico para concluírem que não vale a pena essa troca, que é um negócio prejudicial. A argumentação falaciosa de que estas construções servem para diminuir a poluição atmosférica, não passam disso mesmo, de subterfúgios para encobrir a ganância e o lucro fácil que os promotores desses projetos procuram.

Na mesma reunião, a representante da APA apercebendo-se do sentimento geral da população presente, exortou a que todos enviassem até ao próximo dia 5 de Junho, dia em que termina o prazo para cada um poder expor a sua posição para aquele organismo. Podem fazê-lo por carta, por email, por escrito, para que eles (APA) possam aquilatar com mais acuidade o sentir das populações e aperceber-se dos factores que poderão ser preponderantes na sua tomada de decisão, apesar de, como eu penso, forças superiores poderem ter competência para alterar a sua posição.

Exorto, para finalizar, ao envio da vossa posição. A cidadania é um direito de todos e de cada um.
O envio por email é bastante simples, é legal, e é fundamental para as nossas pretensões que isso aconteça. Não se esqueçam, o prazo termina no dia 5 de Junho às 24 horas. O email é: geral@apambiente.pt

Respeitem a nossa idiossincrasia.

Manuel Araújo

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