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Edição de 22-07-2010

Zona de Debate

02-11-2009 11:58
Autor: Álvaro Galante
Morre lentamente quem não viaja Imprimir Responder

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda

02-11-2009 14:21
Autor: paula queiroz pinto
Re: Morre lentamente quem não viaja Responder
Gostei muito, mesmo muito, faço minhas as palavras de Pablo Neruda. Obrigada por ter trazido este belo poema para o fórum e que sirva de inspiração para os demais.

02-11-2009 16:31
Autor: Alvaro Galante
Re: Morre lentamente quem não viaja Responder
Eu é que agradeço a oportunidade.

02-11-2009 16:43
Autor: AGQ
Re: Morre lentamente quem não viaja Responder
Ainda outro poema, mais pela pertinencia no tempo, foi escrito entre 2002-2005.
Cantado pelo seu autor, Fausto Bordalo Dias (FAUSTO), no concerto "3 CANTOS" - Jose Mario Bramnco, Sergio Godinho, Fausto, no sabado a noite no Coliseu do Porto, que foi soberbo. Ele mesmo referiu, que apesar do tempo a que ja foi escrito, hoje esta mais actual que nunca.

EIS AQUI O AGIOTA

I

eis aqui o agiota
eis ali a agiotagem

de novo mergulho na Luz do astro da musica
a minha cabeça
de novo a procura daquela
melodia que teima
em nascer as avessas
se ribomba no contrapasso´~e se ja cruza o ciberespaço
entao
cuida de ti usurario
na zona escura do erario
e da folia financeira
do teu corpo fundo
e mais anonimo
a volta do mundo
atravessando fronteiras

esvoaçam

a tua volta esvoaçam
taxas de juros e cambios
de cambistas e banqueiros
titulos e dividas
contraseguros
visoes garridas
malabaristas
e oniricas
do dinheiro

(continua )

02-11-2009 16:54
Autor: AGQ
Re: Morre lentamente quem não viaja Responder
EIS AQUI O AGIOTA

II

a minha guitarra nao toca para ti
a minha guitarra rosna

obeso e rebarbativo alardeando
a engorda

o teu figurino
obesa a corruptela que mais
disfarça e transforma
selvagens capitalismos
em brandos neoliberalismos
o mais doce dos eufemismos
e entao
tu provas na perfeiçao
que geres com o teu cifrao
a infelicidade dos outros
reduzes um drama
o do maior desemprego
a centigramas
a percentagem de uns poucos

encurralados

os mais jovens encurralados
em becos rasos de seringas
contrafeitos mercadores
em praças e ruas
ruelas e avenidas
envergonhadas
e mais anuladas
as maos estendidas
de arrumadores

02-11-2009 17:02
Autor: AGQ
Re: Morre lentamente quem não viaja Responder
EIS AQUI O AGIOTA

III

morreu a proletaria ditadura
a ditadura do mercado ja nasceu

se cada vez menos produzem
mais para a maior minoria
toda a riqueza
se cada vez menos para a imensa maioria sobram
sobras que te caem da mesa
da guerrilha dos capitais
em doces paraisos fiscais

entao
cuida de ti argentario
o que retrata este sudario
e a maior parte do mundo
que sobrevive na penumbra
de olhos postos em ti
moribundo
mas que te olha ja defunto

e enches a boca

de direitos humanos
enches a boca
de fala
do pensamento
mas o do trabalho nunca
e porque sera
que esse direito
no esquecimento fica
se crucifica
mais
se abdica
mas fica a pergunta

02-11-2009 17:06
Autor: AGQ
Re: Morre lentamente quem não viaja Responder
EIS AQUI O AGIOTA

IV

Keynes
ao pe de ti
e arrumado a um canto
e a alegoria
ou o retrato de um santo

FAUSTO
Bordalo Dias

Do Album " A opera magica do cantor Maldito "

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